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Identificando Sinais de Dor em Gatos

gato na mesa do veterinário na consulta

Posted by Jackie Brown

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“Quando decidi focar na dor, há muitos anos, tínhamos muita descrença dos médicos-veterinários que pensavam que, como não há evidência de dor, não pode haver dor”, lembra Alicia Z. Karas, DVM, MS, BA, DACVAA, professora assistente de ciências clínicas (anestesiologia e controle da dor) na Escola de Medicina Veterinária da Universidade de Tufts Cummings. “Quando eu estava na escola veterinária, não havia aula sobre sinais de dor em gatos. A única coisa que nos disseram foi para ter cuidado ao tratar a dor, porque você vai mascarar sinais importantes que significam o agravamento da doença. ”

Felizmente, o manejo da dor na medicina veterinária evoluiu nas últimas décadas, mas a compreensão sobre a dor felina historicamente ficou atrás da compreensão da dor em cães.

“Como profissão, passamos muito mais tempo interagindo e entendendo os cães, e só precisamos gastar um pouco mais de tempo com os gatos para entender seu comportamento e suas necessidades”, diz B. Duncan X. Lascelles, BSc, BVSc , PhD, FRCVS, CertVA, DSAS (ST), DECVS, DACVS, professor de pesquisa e manejo de dor translacional na Faculdade de Medicina Veterinária da North Carolina State University. “A falta de compreensão do comportamento dos gatos leva a algumas suposições sobre o que eles podem estar sentindo e também leva a suposições sobre como podem reagir.”

De acordo com o Dr. Lascelles, um dos maiores equívocos é que um gato com dor aguda vocaliza ou demonstra que está com dor aguda. “Gatos não fazem isso”, diz ele. “Outro equívoco é, ‘Eu dei um analgésico e assim o gato ficará confortável.’ Bem, nem todo analgésico produz um alívio eficaz da dor em todos os indivíduos.”

A Dra. Karas recomenda sempre procurar níveis inesperados de dor. “A única maneira de saber o que é imprevisto é verificando todos os pacientes”, diz ela. “Um pouco de dor é inevitável após a cirurgia, mas muita dor? Algo está errado—vá procurar o que é. ”

 Abordagem Geral Para Identificar Sinais de Dor em Gatos (1, 2)

A avaliação de um gato com dor deve fazer parte de todo exame físico e começar à distância. Observar o comportamento do gato antes da avaliação prática pode fornecer muitas informações adicionais.

●     Onde o gato está posicionado? Ele está escondido no fundo da gaiola ou da bolsa de viagem, ou na frente?

●     Como é sua postura corporal? O gato está curvado, esticado ou encolhido?

●     O gato está relaxado ou tenso?

●     Ele está interessado e respondendo aos seus arredores?

Uma avaliação detalhada da expressão facial do gato e uma observação para saber se ele está prestando especial atenção às feridas ou outras áreas potenciais de dor são pontos importantes a serem notados antes de interagir com o gato.

Ao avaliar a resposta do gato ao contato, sempre se aproxime com calma e monitore a mudança de comportamento em gatos com cuidado. É importante observar como o gato responde à interação social (por exemplo, falando, acariciando, etc.), mas também como ele responde à palpação de uma área potencialmente dolorosa. Medições objetivas de mudanças fisiológicas, como frequência cardíaca e pressão arterial, também podem ser incorporadas.

As escalas de dor podem ajudar a orientar a ordem em que cada item da avaliação da dor é avaliado e padronizar a abordagem dentro de uma clínica. Sempre que possível, a aplicação da ferramenta antes e depois da ocorrência da dor (por exemplo, tanto no pré quanto no pós-operatório) ajuda a identificar a dor. As avaliações pós-operatórias também devem ser repetidas em intervalos regulares para garantir que o paciente permaneça confortável (2).

Ferramentas Para Identificar Sinais de Dor em Gatos (1, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9)

Existem agora várias escalas de dor publicadas com validação relatada, desenvolvidas para apoiar a tomada de decisão clínica para um gato com dor aguda. As mais comumente relatadas estão listadas abaixo:

A escala multidimensional de dor composta da UNESP-Botucatu

Desenvolvida para avaliar a dor em gatas submetidas a ovariohisterectomia. Encoraja a avaliação extensiva por meio da avaliação de parâmetros comportamentais e fisiológicos. Possivelmente um pouco mais complicada de concluir em comparação com outras ferramentas.

A escala composta de medição da dor felina de Glasgow (CMPS-Feline)

Desenvolvida para avaliar gatos quanto à dor aguda (cirúrgica, médica, inflamatória ou traumática). Avalia a mudança de comportamento em gatos e a expressão facial e é fácil de usar e rápida de completar.

A Escala Facial de Gatos

Um sistema de pontuação baseado na expressão facial para avaliação de sinais de dor em gatos. É uma ferramenta rápida, confiável e fácil de usar e demonstrou ser suscetível à administração de analgésicos.

Observando Postura e Comportamentos Relacionados À Dor Aguda em Gatos (2)

Ambas as escalas de Botucatu e Glasgow CMPS-Feline avaliam esses parâmetros. Sempre que possível, documentar o comportamento normal (anterior à dor) torna a identificação da dor mais fácil, comparando e procurando por uma mudança de comportamento em gatos. Também pode ajudar a diferenciar os comportamentos de medo ou ansiedade daqueles associados à dor. Em geral, um gato sem dor e de bom temperamento está relaxado e tende a adotar uma postura confortável e encolhida. Sentar perto da frente da gaiola, manter a cabeça erguida, mostrar interesse pelo ambiente e querer brincar/interagir com pessoas também são comportamentos característicos. Gatos medrosos ou ansiosos tendem a se esconder mais e sua postura corporal não é relaxada, mas ainda é possível diferenciar esses sinais dos sinais de que o gato está com dor.

Um gato com dor aguda adota posturas tensas e encurvadas ou encolhidas, ou mais rigidamente esticadas. Sentar perto da parte de trás da gaiola, frequentemente mudando o peso para tentar ficar confortável e focando a atenção nas feridas também são outros comportamentos associados à dor aguda. Um gato com dor pode vocalizar mais (rosnar, sibilar, miar longa e profundamente ou ronronar), embora muitos permaneçam em silêncio.

Observando Expressões Faciais Relacionadas aos Sinais de Dor em Gatos

Um aspecto na avaliação de sinais de dor em gatos que recentemente entrou em cena é o conceito de expressão facial. “Isso remonta a algum trabalho de cerca de 10 anos atrás de Jeff Mogil e seu grupo, que relatou o que eles chamaram de Escala de Careta de Camundongos para dor aguda em camundongos em um ambiente de laboratório”, disse o Dr. Lascelles. “Acontece que sua expressão facial se altera diante da dor aguda.”

Após o trabalho em camundongos, os pesquisadores desenvolveram escalas de careta para outros animais, incluindo ratos, coelhos, cavalos, ovelhas, cordeiros, leitões e furões. Em dezembro de 2019, um estudo sobre o desenvolvimento de uma Escala de Careta Felina foi publicado na revista Scientific Reports.

A Escala de Caretas Felinas foi desenvolvida e validada por Paulo Steagall, DVM, MS, PhD, Dipl. ACVAA, professor associado de anestesia veterinária e controle da dor da Universidade de Montreal, e uma equipe de pesquisadores da Universidade de Montreal.

A escala monitora cinco unidades de ação: posição da orelha, contração orbital, tensão do focinho, mudança dos bigodes e posição da cabeça. O veterinário pontua cada unidade de ação em 0, 1 ou 2: 0 para ausência da unidade de ação, 1 para aparência moderada ou incerteza e 2 para aparência óbvia (7). Uma pontuação total de 4 ou mais indica que o gato está com dor e requer alívio de resgate.

A Dra. Karas recomenda estudar fotos e vídeos de um gato com dor e até mesmo imprimir e montar as imagens faciais da Escala de Caretas Felinas no hospital para fácil referência. “Se você publicar esses rostos e olhar para os gatos em sua clínica, como um médico veterinário ou técnico, começará a entender. Quando vejo as centenas de vídeos e fotos de gatos que acredito estarem sentindo dor, acho que você pode notar. ”

Interagindo Para Avaliar Sinais de Dor em Gatos

A Dra. Karas e o Dr. Lascelles recomendam a realização de avaliações práticas programadas para pacientes que provavelmente estão sentindo dor. “A maioria das ferramentas de avaliação da dor envolve perguntas sobre a mudança de comportamento em gatos, mas já vimos essas questões e a parte mais sensível de todos esses questionários é a seção sobre a resposta à palpação”, diz o Dr. Lascelles.

Se, por exemplo, você está avaliando a dor após a ovariohisterectomia, em intervalos pós- operatórios, abra a gaiola e muito cuidadosa e lentamente interaja com a gata até que você possa colocar dois dedos no abdômen ventral, e muito suavemente pressione a região da ferida e os arredores.

“Se a gata vocaliza ou tenta se afastar da palpação, isso sugere que a área está muito sensível, então o protocolo da dor precisa ser aumentado ou alterado”, diz o Dr. Lascelles. “Se você não obtiver uma resposta muito reativa a essa palpação suave, isso sugeriria, estatisticamente, que o protocolo de controle da dor que você implementou está funcionando e que a gata está confortável o suficiente.”

Essa avaliação não precisa ser excessivamente perturbadora ou desconfortável para seus pacientes. “Eu digo aos alunos que apalpem a ferida tão delicadamente como se você fosse empurrar o globo ocular sobre uma pálpebra fechada”, diz a Dra. Karas. “Se doer, o paciente precisa de mais analgésicos.”

Dra. Karas também recomenda avaliação dinâmica de um gato com dor. “Assistir ao movimento de um paciente fornece ainda mais informações do que uma imagem estática”, diz ela. “O gato pode ficar bem se ficar perfeitamente imóvel, mas se ele não conseguir se levantar e entrar na caixa de areia, ou andar para pegar comida ou água, é porque é muito doloroso.”

A Importância dos Técnicos/Enfermeiros Veterinários no Tratamento de Um Gato Com Dor

Fazer um esforço consciente para avaliar rotineiramente os sinais de dor em gatos na clínica vale a pena se isso significar pacientes mais confortáveis, mas leva tempo. Trabalhar em equipe é fundamental.

O Dr. Lascelles sugere o agendamento de avaliações práticas em horários definidos. “Uma pergunta que você precisa responder é:‘ Quem tem tempo para fazer isso? ’”, Diz ele. “Pode não ser o médico veterinário, e tudo bem. Se os enfermeiros ou técnicos tiverem tempo para fazer isso, treine-os, dê autonomia e peça que façam as avaliações. Para isso ser bem-sucedido, os veterinários precisam ouvir a equipe de suporte. Se estiverem errados, é apenas mais educação. Ou podem estar certos. Eles podem estar vendo coisas que você não percebeu.”(Observação para afiliadas: Se a citação completa não for aplicável à sua localização, pode excluir a parte em negrito, se preferir.)

Quanto mais você aprender e estudar sobre os sinais de dor em gatos, mais fácil será detectar a dor aguda. “As pessoas dizem que os gatos escondem coisas, mas não o fazem se você souber o que procurar”, diz a Dra. Karas. “Ficam travados, as pupilas dilatadas, os olhos estreitos, podem estar curvados. Acho que devemos ter alguma consciência do fato de que os gatos ficam mal humorados porque estão com dor, e não porque o gato é apenas mal humorado por natureza. ”

REFERÊNCIAS:

1.      Steagall PV, Monteiro BP. Acute pain in cats: Recent advances in clinical assessment. Journal of feline medicine and surgery. 2019 Jan;21(1):25-34

2.      Roberston, S. Feline acute pain series. Assessment of acute pain in cats. Today’s Veterinary Practice. January/February 2014. Obtido em: https://todaysveterinarypractice.com/wp- content/uploads/sites/4/2016/06/T1401F04.pdf

3.      Epstein, Mark E et al. 2015 AAHA/AAFP pain management guidelines for dogs and cats. J Am Anim Hosp Assoc (2015);51(2):67-84. doi: 10.5326/JAAHA-MS-7331

4.      Brondani, J.T., Mama, K.R., Luna, S.P.L. et al. Validation of the English version of the UNESP- Botucatu multidimensional composite pain scale for assessing postoperative pain in cats. BMC Vet Res 9, 143 (2013). https://doi.org/10.1186/1746-6148-9-143

5.      McKune C, Robertson S. In: Polak K, et al, eds. Field Manual for Small Animal Medicine. 2018:121-164.

6.      Reid, J et al. “Definitive Glasgow acute pain scale for cats: validation and intervention level.” The Veterinary record vol. 180,18 (2017): 449. doi:10.1136/vr.104208

7.      Evangelista, M.C., Watanabe, R., Leung, V.S.Y. et al. Facial expressions of pain in cats: the development and validation of a Feline Grimace Scale. Sci Rep 9, 19128 (2019). https://doi.org/10.1038/s41598-019-55693-8

8.      Evangelista, Marina C et al. “Clinical applicability of the Feline Grimace Scale: real-time versus image scoring and the influence of sedation and surgery.” PeerJ vol. 8 e8967. 14 Apr. 2020, doi:10.7717/peerj.8967

9.      Feline Grimace Scale site. https://www.felinegrimacescale.com/

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